Cefaleia Tensional: Como Diferenciar da Enxaqueca

Por Dr. Marcelo Oliveira Lamberti · CRM/GO 28.236 | RQE 15.222 ·

A cefaleia tensional é o tipo de dor de cabeça mais comum do mundo, mas costuma ser confundida com enxaqueca. Entenda as diferenças. Tratamento especializado com o Dr. Marcelo Lamberti em Itumbiara/GO.

Cefaleia Tensional: Como Diferenciar da Enxaqueca

Aviso: Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Não substitui a consulta médica individualizada.

Se você sente uma pressão constante na cabeça, como se estivesse usando um capacete apertado, provavelmente conhece a cefaleia tensional. Ela é o tipo de dor de cabeça mais prevalente no mundo, afetando aproximadamente 38% da população em algum momento da vida, com prevalência ao longo da vida chegando a 78% em algumas populações. Apesar de ser frequentemente subestimada por ser "menos dramática" que a enxaqueca, a cefaleia tensional crônica (mais de 15 dias de dor por mês) causa incapacidade significativa e redução substancial da qualidade de vida. Sua confusão com a enxaqueca é extremamente comum, e perigosa, pois o tratamento é diferente e o uso equivocado de triptanos (específicos para enxaqueca) na cefaleia tensional não apenas não funciona como pode contribuir para o desenvolvimento de cefaleia por uso excessivo de medicação.

"Cefaleia tensional crônica não é frescura. Merece tratamento, não apenas um comprimido."

Dr. Marcelo Lamberti

Como distinguir cefaleia tensional de enxaqueca

As diferenças clínicas são marcantes quando bem exploradas. A cefaleia tensional caracteriza-se por: dor em aperto ou pressão (como uma "faixa" ou "capacete" ao redor da cabeça), intensidade leve a moderada, localização bilateral (dos dois lados), ausência de náuseas ou vômitos (ou muito leves), não piora com atividade física rotineira e pode ou não ter fotofobia ou fonofobia, mas nunca as duas simultaneamente. A enxaqueca, por contraste, é tipicamente pulsátil, unilateral, de intensidade moderada a grave, acompanhada de náuseas/vômitos, piora com movimento, e apresenta fotofobia e fonofobia juntas. A presença de aura (sintomas neurológicos antes da dor) é exclusiva da enxaqueca. Pacientes podem ter os dois tipos simultaneamente: é a "enxaqueca combinada com cefaleia tensional", o que complica o diagnóstico.

CaracterísticaCefaleia TensionalEnxaqueca
Tipo de dorPressão/aperto bilateralPulsátil, geralmente unilateral
IntensidadeLeve a moderadaModerada a forte
LocalizaçãoBilateral ("capacete")Unilateral (têmporas, olhos)
Duração30min a 7 dias4 a 72 horas
Náusea/vômitoAusenteFrequente
Fotofobia/fonofobiaLeve ou ausentePresente e intensa
Aura visualNuncaEm 25-30% dos casos
Piora com atividade físicaNãoSim
Gatilhos principaisEstresse, tensão muscularHormônios, alimentos, sono

Fisiopatologia: tensão muscular, sensibilização e estresse

O mecanismo da cefaleia tensional envolve hiperalgesia nos tecidos pericraniais (músculos, fáscias e tendões do couro cabeludo e pescoço) e, nos casos crônicos, sensibilização central, mecanismo compartilhado com a enxaqueca crônica e a fibromialgia. A contração sustentada dos músculos da mastigação, pescoço e ombros, frequentemente relacionada ao estresse, à ansiedade e a posturas inadequadas, é o principal fator precipitante. O bruxismo (ranger de dentes durante o sono) e as disfunções da articulação temporomandibular contribuem significativamente. Em casos crônicos, o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA) desregulado pelo estresse crônico amplifica os sinais de dor.

Tratamento para cefaleia tensional

O manejo correto da cefaleia tensional vai muito além de tomar um analgésico

"A cefaleia tensional crônica é debilitante e merece atenção especializada, não apenas 'dipirona e passa'. Quando presente mais de 15 dias por mês, há mecanismos de sensibilização central envolvidos que exigem tratamento preventivo, não apenas analgésicos na crise."

Tratamento: agudo, preventivo e não farmacológico

No tratamento agudo, AINEs (ibuprofeno, naproxeno), paracetamol e aspirina são eficazes. Combinações com cafeína têm resposta mais rápida, mas devem ser usadas com cautela pelo risco de cefaleia por abuso. Para o tratamento preventivo da cefaleia tensional crônica, amitriptilina é o medicamento com maior evidência (nível A), com doses entre 10 e 75 mg à noite. Mirtazapina e venlafaxina são alternativas. Medidas não farmacológicas têm papel fundamental e muitas vezes subestimado: fisioterapia cervical (reduz a tensão muscular pericranial), técnicas de relaxamento muscular progressivo (evidência nível A), biofeedback eletromiográfico, acupuntura, terapia cognitivo-comportamental para manejo do estresse, e regularização do sono. O diário de cefaleia é uma ferramenta simples e poderosa para identificar padrões, gatilhos e monitorar a resposta ao tratamento.

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Fontes e Referências

1. Headache Classification Committee of the International Headache Society (IHS). The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition. Cephalalgia, 2018;38(1):1-211. DOI: 10.1177/0333102417738202

2. Bendtsen L, Jensen R. Tension-type headache: the most common, but also the most neglected, headache disorder. Curr Opin Neurol, 2006;19(3):305-9. DOI: 10.1097/01.wco.0000227043.00824.a9

3. Verhagen AP et al. Lack of benefit for prophylactic drugs of tension-type headache in adults: a systematic review. Fam Pract, 2010;27(2):151-165. DOI: 10.1093/fampra/cmp089

4. Bendtsen L et al. EFNS guideline on the treatment of tension-type headache — report of an EFNS task force. Eur J Neurol, 2010;17(11):1318-25. DOI: 10.1111/j.1468-1331.2010.03070.x

Atendimento em Itumbiara/GO

Dr. Marcelo Lamberti — Neurocirurgião. Rua João Manoel de Souza, 881, Itumbiara/GO. Tel: (64) 99297-1512.