Dor Cervical e Dor no Pescoço: Causas e Tratamento
A dor no pescoço afeta milhões de brasileiros e pode ir de uma simples tensão muscular a uma compressão da medula espinhal. Saiba identificar as causas, os sinais de alerta e os tratamentos disponíveis para a cervicalgia. Consulte o Dr. Marcelo Lamberti, neurocirurgião em Itumbiara/GO.
Aviso: Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Não substitui a consulta médica individualizada.
A dor cervical (cervicalgia) é a quarta maior causa de incapacidade no mundo, afetando entre 30% e 50% da população adulta em algum momento da vida. A coluna cervical é formada por sete vértebras (C1 a C7) que sustentam o peso da cabeça (em média 5 a 6 kg em posição neutra) e protegem a medula espinhal, enquanto permitem uma amplitude de movimento excepcional em todas as direções. Justamente por essa alta mobilidade combinada à função de suporte, ela é particularmente vulnerável ao desgaste degenerativo, às posturas inadequadas mantidas por longas horas e às lesões por trauma. A popularização de smartphones e computadores criou uma verdadeira epidemia de cervicalgia: a chamada "postura do texto" (text neck), com a cabeça projetada 45° para frente, aumenta a carga efetiva sobre a coluna cervical de 5-6 kg para até 27 kg, acelerando o desgaste dos discos e facetas.
"Dor no pescoço que irradia para o braço com dormência ou fraqueza não é tensão muscular. É um sinal que precisa de avaliação especializada."
Dr. Marcelo Lamberti
No Brasil, estima-se que mais de 25 milhões de adultos sofram de cervicalgia crônica ou recorrente, com impacto significativo na produtividade e qualidade de vida. O custo social e econômico da cervicalgia crônica é comparável ao da lombalgia, ainda que receba menos atenção pública. Compreender as causas, reconhecer os sinais de alerta e adotar medidas preventivas e terapêuticas adequadas é essencial para evitar a progressão para formas mais graves.
Causas mais comuns de dor no pescoço
A contração muscular (torcicolo agudo, tensão cervical crônica) é a causa mais frequente e geralmente autolimitada, relacionada a postura inadequada, estresse e sobrecarga muscular. A espondilose cervical (artrose cervical) é o desgaste degenerativo dos discos e facetas articulares, muito comum após os 40 anos e presente em algum grau em 95% das pessoas acima de 65 anos nas radiografias. A hérnia de disco cervical comprime raízes nervosas (radiculopatia cervical) causando dor que irradia para o ombro, braço, antebraço e dedos, com dormência e formigamento no território da raiz comprometida. A mielopatia cervical, compressão da própria medula espinhal na coluna cervical, é a forma mais grave: provoca marcha instável, fraqueza progressiva nas mãos (dificuldade para abotoar roupas, segurar objetos), hiperreflexia e, nos casos avançados, déficit nos membros inferiores. Uma vez instalada a mielopatia, a cirurgia precoce é essencial para evitar progressão irreversível. Causas menos comuns incluem trauma cervical por aceleração-desaceleração (whiplash), artrite reumatoide com comprometimento atlantoaxial, e raramente tumores ou infecções.
"Dor que irradia do pescoço para o braço, com dormência ou fraqueza nos dedos, não é uma simples tensão muscular. É o sinal de que uma raiz nervosa está sendo comprimida, e isso precisa de avaliação especializada o quanto antes para evitar progressão para déficit neurológico permanente."
Dr. Marcelo Lamberti
Diagnóstico: quando pedir ressonância magnética cervical?
A maioria das cervicalgias agudas de causa mecânica ou muscular não necessita de exames de imagem imediatos. A ressonância magnética da coluna cervical está indicada quando há: sinais ou sintomas de radiculopatia cervical (dor irradiada para o braço com dormência ou fraqueza), qualquer sinal de mielopatia (marcha instável, fraqueza nas mãos), trauma de alta energia com suspeita de fratura, sintomas que não melhoram após 4 a 6 semanas de tratamento conservador, ou suspeita de causa não mecânica (infecção, tumor). A radiografia cervical em AP, perfil e oblíquas avalia alinhamento, discopatia e osteófitos foramino-laterais. A eletroneuromiografia confirma o nível de comprometimento radicular quando a clínica e a imagem são discordantes.
Tratamento: do conservador à cirurgia cervical
Para a maioria das cervicalgias de causa mecânica ou muscular, o tratamento conservador é eficaz: fisioterapia com mobilização cervical, tração cervical em casos selecionados, fortalecimento dos músculos estabilizadores profundos do pescoço (semiespinhal, multífidos cervicais), anti-inflamatórios, relaxantes musculares e mudanças ergonômicas no ambiente de trabalho e uso de dispositivos eletrônicos. Bloqueios radiculares cervicais seletivos guiados por fluoroscopia são opção para radiculopatia refratária ao tratamento clínico. A cirurgia está indicada na radiculopatia cervical que não responde ao tratamento conservador após 6 a 12 semanas com déficit neurológico progressivo, e essencialmente em qualquer grau de mielopatia cervical sintomática, onde a descompressão precoce é o único meio de evitar progressão. A discectomia cervical anterior com fusão (ACDF) é o procedimento mais realizado: pela frente do pescoço, o disco é removido, a raiz ou a medula descomprimida e um cage interbody estabiliza o segmento. Resultados clínicos são excelentes em 85% a 90% dos casos de radiculopatia.

A postura no trabalho e o uso de dispositivos eletrônicos são fatores importantes na dor cervical
Leia também no blog:
- Dormência e Formigamento nas Mãos e Pés: O Que Pode Ser? — Neurologia
- Protrusão Discal: Diferença Entre Protrusão e Hérnia de Disco — Coluna
- Postura Correta: Como Evitar Dor na Coluna — Bem-estar
Fontes e Referências
2. Binder AI. Cervical spondylosis and neck pain. BMJ. 2007;334(7592):527-531.
3. Iyer S, Kim HJ. Cervical radiculopathy. Curr Rev Musculoskelet Med. 2016;9(3):272-280.
Atendimento em Itumbiara/GO
Dr. Marcelo Lamberti — Neurocirurgião. Rua João Manoel de Souza, 881, Itumbiara/GO. Tel: (64) 99297-1512.