Enxaqueca: O Que É, Causas, Sintomas e Como Tratar

Por Dr. Marcelo Oliveira Lamberti · CRM/GO 28.236 | RQE 15.222 ·

A enxaqueca é uma doença neurológica que afeta 15% da população brasileira. Entenda a diferença entre enxaqueca e dor de cabeça comum, conheça os gatilhos e saiba quando buscar tratamento especializado. Agende com o Dr. Marcelo Lamberti, neurocirurgião com atuação em dor em Itumbiara/GO.

Enxaqueca: O Que É, Causas, Sintomas e Como Tratar

Aviso: Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Não substitui a consulta médica individualizada.

A enxaqueca é uma das doenças neurológicas mais prevalentes do mundo e a mais incapacitante entre as pessoas de 15 a 49 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estima-se que afete cerca de 32 milhões de pessoas, aproximadamente 15% da população. É três vezes mais comum em mulheres do que em homens, principalmente por influência hormonal. Apesar disso, ainda é amplamente subdiagnosticada e tratada de forma inadequada: pesquisas indicam que menos de 50% dos pacientes recebem o diagnóstico correto e apenas 20% fazem tratamento preventivo adequado.

"Cada paciente com enxaqueca merece ser ouvido. A dor é real, tem base biológica comprovada e, acima de tudo, tem tratamento."

Dr. Marcelo Lamberti

A enxaqueca não é uma "dor de cabeça forte". É uma doença neurológica crônica com base biológica comprovada, que envolve hiperexcitabilidade do córtex cerebral, ativação do sistema trigeminovascular e liberação de peptídeos inflamatórios como o CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina). As crises podem durar de 4 a 72 horas e costumam ser acompanhadas de náuseas, vômitos, fotofobia (sensibilidade à luz) e fonofobia (sensibilidade a sons). Em cerca de 30% dos casos, a crise é precedida pela chamada "aura", com fenômenos neurológicos transitórios como zig-zags visuais, pontos cegos, formigamento em metade da face ou dificuldade transitória para falar. É importante diferenciar a enxaqueca de outros tipos de cefaleia, como a cefaleia tensional.

Causas e Fatores Desencadeantes

A predisposição à enxaqueca tem forte componente genético: se ambos os pais têm enxaqueca, o filho tem até 75% de chance de desenvolvê-la. O cérebro do enxaquecoso é estruturalmente diferente, com maior excitabilidade cortical e menor limiar para processar estímulos sensoriais. Sobre essa base genética, uma série de fatores pode precipitar as crises: estresse e sua resolução ("enxaqueca de fim de semana"), privação ou excesso de sono, jejum prolongado, variações hormonais (ovulação, menstruação, uso de anticoncepcionais), bebidas alcoólicas (especialmente vinho tinto), alimentos processados com glutamato, cheiros fortes, luz intensa, barulho, mudanças climáticas e pressão barométrica.

Identificar e evitar os seus gatilhos pessoais é parte fundamental do tratamento. Um diário de crises, anotando horário, duração, intensidade, possíveis desencadeantes e medicamentos usados, é uma ferramenta valiosa para o neurologista. Hoje existem aplicativos específicos para isso, como o Migraine Buddy e o Strateq.

Neurociência e cérebro - representação visual da atividade cerebral na enxaqueca

A enxaqueca envolve hiperexcitabilidade do córtex cerebral e ativação de vias inflamatórias específicas

Tratamento Agudo: Interromper a Crise

Para interromper a crise em andamento, a abordagem deve ser estratificada conforme a intensidade. Em crises leves a moderadas, anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) como ibuprofeno, naproxeno e diclofenaco, associados a antieméticos, costumam ser eficazes. Em crises moderadas a graves, os triptanos são o padrão-ouro: atuam diretamente no mecanismo da enxaqueca, vasoconstringindo vasos dilatados e bloqueando a liberação de CGRP. Sumatriptano, rizatriptano e zolmitriptano estão disponíveis no Brasil. A regra de ouro é tomar a medicação o mais cedo possível no início da crise. O uso frequente de analgésicos (mais de 10 a 15 dias por mês) pode levar à cefaleia por uso excessivo de medicação, uma armadilha que cronifica a dor e pode evoluir para dor crônica.

Tratamento Preventivo: Revolucionando o Cuidado

Quando as crises ocorrem 4 ou mais vezes por mês, ou quando são muito incapacitantes, o tratamento preventivo é indicado. As opções tradicionais incluem betabloqueadores (propranolol, metoprolol), antidepressivos tricíclicos (amitriptilina), anticonvulsivantes (topiramato, valproato) e bloqueadores de canal de cálcio (flunarizina). Uma revolução chegou com os anticorpos monoclonais anti-CGRP, aprovados no Brasil a partir de 2020: erenumabe (Aimovig), fremanezumabe (Ajovy) e galcanezumabe (Emgality) são aplicados mensalmente por via subcutânea e reduzem em média 50% ou mais os dias de enxaqueca por mês, com excelente tolerabilidade. Para a enxaqueca crônica (15 ou mais dias de dor por mês), a toxina botulínica tipo A (Botox) é aprovada e eficaz, aplicada em 31 a 39 pontos na cabeça e pescoço a cada 12 semanas.

"A enxaqueca não é fraqueza nem frescura. É uma doença neurológica com base biológica comprovada e tratamentos eficazes disponíveis. Quem sofre de enxaqueca frequente merece avaliação especializada, diagnóstico correto e um plano terapêutico personalizado. Com o tratamento adequado, é possível recuperar a qualidade de vida de forma significativa." - Dr. Marcelo Lamberti

Quando Buscar Avaliação Neurológica

Procure um neurologista ou neurocirurgião se você tem crises de dor de cabeça mais de 4 vezes ao mês, se as crises incapacitam por mais de um dia, se usa analgésicos com frequência e a dor está piorando progressivamente, se a aura durou mais de 60 minutos, ou se surgiram sintomas novos como fraqueza em um lado do corpo, alterações persistentes de visão ou febre associada à cefaleia. Esses sinais exigem investigação imediata para excluir causas secundárias graves.

Fontes e Referências

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