Dor Neuropática: O Que É, Causas e Como Tratar

Por Dr. Marcelo Oliveira Lamberti · CRM/GO 28.236 | RQE 15.222 ·

Queimação, choque, agulhadas — a dor neuropática tem características únicas e exige tratamento específico. Saiba o que causa e como tratar. Tratamento especializado com o Dr. Marcelo Lamberti em Itumbiara/GO.

Dor Neuropática: O Que É, Causas e Como Tratar

Aviso: Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Não substitui a consulta médica individualizada.

Você sente queimação, choques ou agulhadas que não passam? A dor neuropática é qualquer dor causada por lesão ou disfunção do sistema nervoso, seja central ou periférico. Diferente da dor nociceptiva comum, que é um sinal de alarme de dano tecidual, a dor neuropática surge do próprio sistema nervoso lesado, que passa a gerar sinais elétricos dolorosos espontâneos. Estima-se que afeta 7% a 10% da população adulta. Sua principal característica é a qualidade ímpar: queimação, choque elétrico, agulhadas, formigamento doloroso, sensação de frio intenso ou calor na pele, muitas vezes associados a alodinia (dor ao toque leve, como o roçar de roupas) e hiperalgesia (resposta exagerada a estímulos normalmente dolorosos). Esse conjunto singular de sintomas, que não se encaixa no perfil das dores musculares ou articulares, deve sempre levantar a suspeita de componente neuropático.

"Dor neuropática não é frescura. É o sistema nervoso pedindo ajuda."

Dr. Marcelo Lamberti

Causas mais frequentes de dor neuropática

As etiologias são amplas. Entre as causas periféricas mais comuns estão: neuropatia diabética (20% a 30% dos diabéticos desenvolvem algum grau de dor neuropática, geralmente em padrão "bota e luva"), neuralgia pós-herpética (dor que persiste após herpes zoster, especialmente em idosos), radiculopatia por compressão de raiz nervosa (hérnia de disco, estenose foraminal), síndrome do túnel do carpo e outras neuropatias por compressão, lesão de nervo por trauma ou cirurgia, e polineuropatias por quimioterapia. Entre as causas centrais: esclerose múltipla, dor central pós-AVC (síndrome talâmica), lesão medular e siringomielia. A neuralgia do trigêmeo, considerada a dor mais intensa que o ser humano pode experimentar, é um exemplo clássico de dor neuropática craniana.

Diagnóstico: ferramentas clínicas e instrumentais

O diagnóstico é essencialmente clínico. Escalas validadas como a DN4 (Douleur Neuropathique 4 questions) e a PainDETECT ajudam a identificar o componente neuropático com sensibilidade e especificidade acima de 80%. A eletroneuromiografia (ENMG) avalia fibras grossas mielinizadas e pode documentar neuropatias periféricas. Para fibras finas (que transmitem calor e dor), a biópsia de pele com quantificação de fibras intraepidérmicas é o padrão-ouro. Exames de imagem (RM da coluna, do crânio ou de nervos periféricos) completam a investigação da causa de base.

Diagnóstico de dor neuropática

O diagnóstico correto da dor neuropática é o primeiro passo para o alívio

"A dor neuropática é subdiagnosticada e subtratada. Muitos pacientes passam anos tomando anti-inflamatórios que não funcionam para esse tipo de dor, enquanto os medicamentos corretos, como anticonvulsivantes e antidepressivos duais, ficam de lado. O diagnóstico correto muda completamente o tratamento."

Tratamento farmacológico e intervencionista

Diferente da dor nociceptiva, a dor neuropática não responde adequadamente a AINEs e analgésicos comuns. Os tratamentos de primeira linha baseados em evidência incluem: antidepressivos duais (duloxetina, venlafaxina), antidepressivos tricíclicos em baixas doses (amitriptilina, nortriptilina), e anticonvulsivantes (pregabalina, gabapentina). Para dor localizada, lidocaína tópica (adesivos 5%) e capsaicina de alta concentração (8%, aplicada em clínica) são eficazes. Opioides são usados em segunda ou terceira linha, com cautela. Para casos refratários, a estimulação da medula espinhal (neuromodulação) é uma opção intervencionista com excelente evidência, especialmente na síndrome dolorosa regional complexa, dor pós-amputação e radiculopatia crônica.

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Fontes e Referências

1. Treede RD et al. Neuropathic pain: redefinition and a grading system for clinical and research purposes. Neurology, 2008;70(18):1630-1635. DOI: 10.1212/01.wnl.0000282763.29778.59

2. Finnerup NB et al. Pharmacotherapy for neuropathic pain in adults: a systematic review and meta-analysis. Lancet Neurol, 2015;14(2):162-173. DOI: 10.1016/S1474-4422(14)70251-0

3. Bouhassira D et al. Comparison of pain syndromes associated with nervous or somatic lesions and development of a new neuropathic pain diagnostic questionnaire (DN4). Pain, 2005;114(1-2):29-36. DOI: 10.1016/j.pain.2004.12.010

Atendimento em Itumbiara/GO

Dr. Marcelo Lamberti — Neurocirurgião. Rua João Manoel de Souza, 881, Itumbiara/GO. Tel: (64) 99297-1512.