Escoliose em Adultos: Tem Tratamento? O Que Esperar

Por Dr. Marcelo Oliveira Lamberti · CRM/GO 28.236 | RQE 15.222 ·

A escoliose não é só problema de adolescentes. Em adultos, ela pode causar dor lombar intensa, assimetria do tronco e compressão nervosa. Entenda as diferenças da escoliose degenerativa do adulto e as opções terapêuticas disponíveis. Consulte o Dr. Marcelo Lamberti, neurocirurgião em Itumbiara/GO.

Escoliose em Adultos: Tem Tratamento? O Que Esperar

Aviso: Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Não substitui a consulta médica individualizada.

Escoliose é a curvatura anormal da coluna vertebral no plano frontal, associada obrigatoriamente à rotação vertebral, um componente tridimensional que a diferencia de uma simples inclinação postural. Quando o ângulo de Cobb (medida padronizada da curvatura na radiografia em AP) supera 10 graus, o diagnóstico é estabelecido. Muito se fala da escoliose em adolescentes, a forma idiopática do adolescente (EIA), que ocorre durante o pico de crescimento puberal e afeta 2% a 3% desta faixa etária. Porém, a escoliose em adultos é uma condição distinta, cada vez mais prevalente e frequentemente subdiagnosticada. Pode ser a progressão de uma EIA não tratada adequadamente, ou mais frequentemente, uma escoliose degenerativa de novo que se desenvolve a partir dos 40-50 anos devido ao desgaste assimétrico dos discos intervertebrais e das facetas articulares. Esse processo afeta entre 6% e 68%dos adultos acima de 60 anos, dependendo do critério diagnóstico utilizado.

"Escoliose no adulto tem tratamento eficaz. O primeiro passo é uma avaliação completa para entender o tipo e o impacto da deformidade na sua vida."

Dr. Marcelo Lamberti

A escoliose degenerativa do adulto (também chamada de escoliose de novo) é uma deformidade tridimensional que se desenvolve lentamente ao longo de anos. Diferente da escoliose adolescente, frequentemente assintomática e descoberta em triagem escolar, a escoliose do adulto quase sempre causa sintomas, pois se associa a estenose do canal vertebral, instabilidade segmentar e compressão radicular. Seu impacto na qualidade de vida pode ser maior que o de muitas doenças crônicas sistêmicas.

Sintomas da escoliose no adulto: mais que uma questão estética

Os sintomas mais comuns incluem: dor lombar ou dorsal persistente (especialmente ao ficar em pé ou caminhar por longos períodos, com alívio ao sentar ou deitar), assimetria visível do tronco (um ombro ou quadril mais alto que o outro, cinturas assimétricas, proeminência de costelas), sensação de desequilíbrio ao caminhar e dificuldade de manter a postura ereta, fadiga muscular precoce após esforços leves, e, nas formas com compressão nervosa associada, claudicação neurogênica, dor irradiada para os membros inferiores, dormência e fraqueza. Nas deformidades mais avançadas, especialmente quando a curva é torácica e supera 70 a 80 graus de Cobb, pode ocorrer comprometimento cardiorrespiratório por restrição do volume torácico. Essa situação é incomum na vida adulta, mas que exige acompanhamento especializado. O desequilíbrio sagital (incapacidade de se manter ereto sem apoiar as mãos nas coxas) é um dos fatores mais fortemente correlacionados à piora da qualidade de vida em adultos com deformidade espinhal.

Avaliação postural e de coluna para escoliose

A avaliação postural completa é fundamental para o diagnóstico e planejamento do tratamento da escoliose

"Escoliose em adulto tem sim tratamento eficaz. Para a maioria, o manejo conservador bem conduzido controla a dor e melhora a função. Para os casos mais graves ou progressivos, a cirurgia moderna de correção da deformidade espinhal oferece resultados que efetivamente transformam a vida do paciente."
Dr. Marcelo Lamberti

Avaliação e diagnóstico: além da radiografia

O diagnóstico e a estratificação da escoliose do adulto exigem uma avaliação completa. Radiografia panorâmica em ortostatismo (em pé), de corpo inteiro, em AP e perfil, é o exame fundamental: permite medir o ângulo de Cobb, avaliar o equilíbrio coronal e sagital global (parâmetros como incidência pélvica, lordose lombar e cifose torácica) e detectar instabilidade segmentar. A ressonância magnética avalia compressão neural associada (estenose, hérnias). A tomografia computadorizada é importante no planejamento cirúrgico. A avaliação clínica funcional, incluindo capacidade de deambulação, distância de marcha, dor e impacto nas atividades diárias, é tão essencial quanto os exames de imagem.

Tratamento: quando é conservador e quando é cirúrgico?

Para curvaturas leves a moderadas (até 40-45 graus de Cobb) com dor controlável e ausência de déficit neurológico grave, o tratamento conservador é a primeira e principal escolha: fisioterapia específica para escoliose (método Schroth, baseado em autocorretores e exercícios tridimensionais, com evidência crescente para adultos), pilates clínico, fortalecimento do core, hidroterapia e analgésicos ou anti-inflamatórios em ciclos curtos quando necessário. Bloqueios guiados por imagem podem oferecer alívio nas crises. Coletes (órteses) não são indicados em adultos para corrigir a curva, mas podem oferecer suporte temporário durante crises intensas de dor. A cirurgia é considerada quando: a dor é incapacitante e refratária ao tratamento conservador por 3 a 6 meses, a deformidade é progressiva (mais de 5 graus de piora por ano em adultos), há déficit neurológico significativo associado, ou existe desequilíbrio sagital global grave comprometendo a marcha. Os procedimentos modernos de correção da deformidade espinhal em adultos, com instrumentação multinível, osteotomias vertebrais e artrodese, são tecnicamente complexos, com planejamento minucioso baseado em parâmetros espino-pélvicos, e devem ser realizados por equipe experiente em centros especializados. O benefício em termos de qualidade de vida e alívio da dor para casos bem selecionados é substancial e duradouro.

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Fontes e Referências

1. Glassman SD et al. The impact of positive sagittal balance in adult spinal deformity. Spine, 2005;30(18):2024-2029. DOI: 10.1097/01.brs.0000179086.30449.96

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3. Bess S et al. The health impact of symptomatic adult spinal deformity: comparison of deformity types to United States population norms and chronic diseases. Spine, 2016;41(3):224-233. DOI: 10.1097/BRS.0000000000001202

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Atendimento em Itumbiara/GO

Dr. Marcelo Lamberti — Neurocirurgião. Rua João Manoel de Souza, 881, Itumbiara/GO. Tel: (64) 99297-1512.