Estenose do Canal Lombar: Sintomas, Diagnóstico e Cirurgia

Por Dr. Marcelo Oliveira Lamberti · CRM/GO 28.236 | RQE 15.222 ·

O estreitamento do canal vertebral na região lombar comprime os nervos e causa dor, peso e fraqueza nas pernas ao caminhar. Saiba como identificar a estenose lombar e quando a descompressão cirúrgica é indicada. Consulte o Dr. Marcelo Lamberti, neurocirurgião em Itumbiara/GO.

Estenose do Canal Lombar: Sintomas, Diagnóstico e Cirurgia

Aviso: Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Não substitui a consulta médica individualizada.

A estenose do canal lombar é o estreitamento do espaço por onde passam os nervos na coluna lombar. Com o envelhecimento natural, uma série de alterações degenerativas ocorrem simultaneamente: os ligamentos amarelos espessam e perdem elasticidade, as facetas articulares desenvolvem osteófitos (bicos de papagaio), os discos intervertebrais perdem altura e se protruem. Tudo isso, em conjunto, reduz progressivamente o diâmetro do canal vertebral e dos forames, comprimindo as raízes nervosas que passam por esses espaços. A estenose lombar degenerativa é uma das causas mais comuns de dor e limitação funcional em pessoas acima dos 60 anos, afetando cerca de 10% da população idosa com grau sintomático. Menos comumente, pode ocorrer em adultos jovens por estenose congênita (canal naturalmente estreito) ou após traumas e cirurgias prévias.

"Se você sente as pernas pesadas ou dormentes ao caminhar e melhora ao se sentar, isso pode ser estenose lombar. Tem tratamento."

Dr. Marcelo Lamberti

Os níveis mais afetados são L4-L5 e L3-L4. O canal vertebral lombar normal tem diâmetro anteroposterior de 15 a 25 mm; considera-se estenose relativa abaixo de 12 mm e absoluta abaixo de 10 mm. A compressão pode ser central (afetando o saco dural e múltiplas raízes), foraminal (comprimindo a raiz ao nível do orifício de saída) ou lateral (no recesso lateral). A combinação dessas três formas é frequente nos casos graves.

Sintomas da estenose lombar: a claudicação neurogênica

O sintoma mais característico e clinicamente importante da estenose lombar é a claudicação neurogênica: dor, peso, dormência ou fraqueza nas pernas que aparecem ao caminhar ou permanecer em pé por algum tempo, e melhoram ao sentar, agachar ou se inclinar levemente para frente (como ao empurrar um carrinho de supermercado). Isso ocorre porque a flexão da coluna aumenta o diâmetro do canal vertebral e alivia transitoriamente a compressão nervosa. É fundamental diferenciar a claudicação neurogênica da claudicação vascular (por doença arterial periférica): na vascular, a dor melhora apenas com repouso (sem necessidade de flexão), os pulsos periféricos estão diminuídos e o doppler mostra alterações arteriais. Em muitos pacientes, especialmente diabéticos e tabagistas idosos, as duas condições coexistem, o que exige avaliação multidisciplinar.

Médico especialista em coluna avaliando paciente

A estenose lombar tem tratamento eficaz e pode devolver qualidade de vida ao paciente

"Muitos pacientes passam anos acreditando que a dificuldade para caminhar é 'coisa da idade' ou problema circulatório. A estenose lombar tem tratamento eficaz. A cirurgia moderna, quando bem indicada, devolve mobilidade e qualidade de vida de forma consistente."
Dr. Marcelo Lamberti

Diagnóstico: ressonância magnética e avaliação funcional

A ressonância magnética da coluna lombar é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico, avaliar o nível e o grau da compressão, identificar as estruturas envolvidas e planejar o tratamento. A tomografia computadorizada é complementar para avaliar a anatomia óssea detalhada, especialmente no planejamento cirúrgico. Radiografias dinâmicas em flexão e extensão são importantes para pesquisar instabilidade segmentar associada, que pode influenciar a decisão entre descompressão isolada e artrodese. A avaliação clínica funcional, como distância de marcha e capacidade para atividades diárias, é tão importante quanto os achados de imagem para orientar o tratamento.

Opções de tratamento: quando operar e quando esperar?

O tratamento inicial é conservador: fisioterapia com foco em mobilidade, fortalecimento do core e reabilitação da marcha; analgésicos e anti-inflamatórios para controle da dor;infiltrações peridurais de corticoide guiadas por imagem, com evidência de benefício a curto e médio prazo. Quando os sintomas são graves (incapacidade para caminhar mais de 100-200 metros), progressivos ou não respondem ao tratamento clínico após 3 a 6 meses, a cirurgia é indicada. O procedimento padrão é a laminectomia descompressiva, que consiste na remoção das estruturas que comprimem os nervos (lâminas, ligamentos amarelos espessados, osteófitos foramino-laterais). Quando há instabilidade associada (espondilolistese degenerativa com mobilidade significativa), a artrodese (fusão vertebral com parafusos e cages) é adicionada à descompressão. Estudos como o SPORT Trial demonstraram que 70% a 80% dos pacientes operados apresentam melhora significativa da dor e da capacidade de caminhar, com vantagem sobre o tratamento conservador mantida por pelo menos 4 anos.

As técnicas de laminectomia minimamente invasiva, com tubo dilatador e microscópio, permitem preservar os ligamentos interespinhosos e parte da musculatura, reduzindo o risco de instabilidade pós-operatória e acelerando a recuperação. A decisão entre abordagem aberta e minimamente invasiva, e entre descompressão isolada e artrodese, deve ser cuidadosamente individualizada considerando anatomia, grau de instabilidade, comorbidades e expectativas do paciente.

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Fontes e Referências

1. Lurie J, Tomkins-Lane C. Management of lumbar spinal stenosis. BMJ. 2016;352:h6234.

2. Weinstein JN, Tosteson TD, Lurie JD, et al. Surgical versus Nonsurgical Therapy for Lumbar Spinal Stenosis. N Engl J Med. 2008;358(8):794-810.

3. Kreiner DS, Shaffer WO, Baisden JL, et al. An evidence-based clinical guideline for the diagnosis and treatment of degenerative lumbar spinal stenosis. Spine J. 2013;13(7):734-743.

Atendimento em Itumbiara/GO

Dr. Marcelo Lamberti — Neurocirurgião. Rua João Manoel de Souza, 881, Itumbiara/GO. Tel: (64) 99297-1512.