Como Prevenir o AVC: Fatores de Risco e Estratégias de Proteção Cerebral

Por Dr. Marcelo Oliveira Lamberti · CRM/GO 28.236 | RQE 15.222 ·

Até 80% dos AVCs são preveníveis. Conheça os principais fatores de risco — hipertensão, fibrilação atrial, diabetes, tabagismo — como reconhecer os sintomas com o protocolo SAMU e as medidas que mais protegem o cérebro. Orientação do Dr. Marcelo Lamberti, neurocirurgião em Itumbiara/GO.

Como Prevenir o AVC: Fatores de Risco e Estratégias de Proteção Cerebral

Aviso: Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Não substitui a consulta médica individualizada.

Você sabia que até 80% dos AVCs são preveníveis? O Acidente Vascular Cerebral (AVC) mata 100 mil brasileiros por ano e é a principal causa de incapacidade permanente no país. A cada 40 segundos, alguém sofre um AVC no Brasil. A cada 3 minutos e 30 segundos, alguém morre em decorrência. Mas essa estatística muda a perspectiva: a maioria das mortes e sequelas causadas por AVC no Brasil poderia ser evitada com controle adequado dos fatores de risco e adoção de hábitos de vida saudáveis. Conhecer esses fatores e agir sobre eles é um ato concreto de proteção cerebral.

"O AVC mais fácil de tratar é aquele que a gente previne."

Dr. Marcelo Lamberti

Os principais fatores de risco modificáveis para AVC

A hipertensão arterial é o fator de risco mais importante: eleva o risco de AVC em 4 a 6 vezes e é responsável por mais de 50% dos casos. A fibrilação atrial (FA) é a arritmia mais perigosa para o cérebro, aumenta o risco de AVC em 5 vezes e responde por 15% a 20% dos AVC isquêmicos. O diabetes mellitus duplica o risco de AVC, especialmente quando combinado com hipertensão. O tabagismo aumenta o risco em 2 a 4 vezes (independente de outros fatores) e a cessação reduz o risco a níveis próximos ao não fumante em 5 anos. A dislipidemia (especialmente LDL elevado) e a obesidade são fatores adicionais. A apneia obstrutiva do sono, frequentemente subestimada, aumenta o risco de AVC em 2 a 3 vezes por mecanismos múltiplos: hipertensão noturna, hipercoagulabilidade e arritmias.

Como reconhecer um AVC: o protocolo SAMU e o AIT

Reconhecer os sintomas de AVC e agir imediatamente pode ser a diferença entre recuperação completa e sequela permanente. O protocolo SAMU resume os sinais em uma palavra: S, Sorriso torto ou assimétrico; A, Abraço fraco (um braço cai ao elevar os dois); M, Mensagem embaralhada (fala arrastada, incompreensível); U, Urgência: ligue 192 imediatamente. Outros sintomas incluem: visão turva ou dupla súbita, tontura intensa com dificuldade para andar, dormência súbita em metade do corpo, confusão mental abrupta, cefaleia súbita "a pior da vida" (sinal de hemorragia subaracnoidea). O AIT (Ataque Isquêmico Transitório), um AVC que resolve em minutos a horas, é emergência médica: 10% a 15% dos pacientes com AIT terão um AVC completo nos 2 dias seguintes se não tratados.

Prevenção de AVC e fatores de risco cerebrovasculares

Prevenir o AVC é, acima de tudo, controlar fatores de risco que estão ao seu alcance

"Prevenir o AVC não é uma questão de sorte, é uma questão de controle. Medir a pressão regularmente, tratar a fibrilação atrial, parar de fumar e manter um estilo de vida ativo são ações com impacto comprovado e mensurável na redução do risco. E no AVC, um neurônio salvo hoje vale anos de qualidade de vida." — Dr. Marcelo Lamberti

Estratégias de proteção cerebral: o que a evidência recomenda

O controle rigoroso da pressão arterial (alvo menor que 130/80 mmHg em pacientes de alto risco) é a medida preventiva com maior impacto absoluto e reduz o risco de AVC em 30% a 40%. Para fibrilação atrial detectada, anticoagulantes orais (warfarina, dabigatrana, rivaroxabana) reduzem o risco de AVC isquêmico em 65%. A estatina para controle do LDL reduz o risco de AVC em 20% a 25%. Cessação do tabagismo, atividade física aeróbica regular (150 min/semana), dieta mediterrânea, controle do diabetes e tratamento da apneia do sono completam o arsenal preventivo. Para pacientes com AIT ou AVC prévio, dupla antiagregação plaquetária (aspirina + clopidogrel) nas primeiras semanas reduz o risco de recorrência precoce em 25%.

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Fontes e Referências

1. GBD 2016 Stroke Collaborators. Global, regional, and national burden of stroke, 1990–2016: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2016. Lancet Neurol, 2019;18(5):439-458. DOI: 10.1016/S1474-4422(19)30034-1

2. Meschia JF et al. Guidelines for the primary prevention of stroke: a statement for healthcare professionals from the American Heart Association/American Stroke Association. Stroke, 2014;45(12):3754-3832. DOI: 10.1161/STR.0000000000000046

3. Feigin VL et al. Global, regional, and national burden of stroke and its risk factors, 1990–2019: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2019. Lancet Neurol, 2021;20(10):795-820. DOI: 10.1016/S1474-4422(21)00252-0

Atendimento em Itumbiara/GO

Dr. Marcelo Lamberti — Neurocirurgião. Rua João Manoel de Souza, 881, Itumbiara/GO. Tel: (64) 99297-1512.