Enxaqueca Crônica: Tratamentos Modernos Que Mudam Vidas
Anticorpos monoclonais anti-CGRP e toxina botulínica revolucionaram o tratamento da enxaqueca crônica. Saiba como funcionam e quando são indicados. Tratamento especializado com o Dr. Marcelo Lamberti em Itumbiara/GO.
Aviso: Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Não substitui a consulta médica individualizada.
Se você sofre com enxaqueca, sabe que ela é muito mais do que uma "dor de cabeça forte", e não deve ser confundida com a cefaleia tensional, que tem mecanismos e tratamento distintos. A enxaqueca é uma doença neurológica crônica e incapacitante que afeta aproximadamente 15% da população mundial, ou seja, mais de 30 milhões de brasileiros. Ela se manifesta por crises de dor pulsátil, geralmente de um lado só, com duração de 4 a 72 horas, acompanhada de náuseas, vômitos e hipersensibilidade à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia). Quando as crises ocorrem 15 ou mais dias por mês, por pelo menos 3 meses consecutivos, o diagnóstico é de enxaqueca crônica, condição que afeta cerca de 2% da população adulta e representa um dos maiores desafios do tratamento neurológico ambulatorial.
"Enxaqueca crônica não é sentença. Hoje temos tratamentos que mudam vidas."
Dr. Marcelo Lamberti
Por que a enxaqueca cronifica? Os fatores de risco
A boa notícia é que a cronificação da enxaqueca é um processo ativo que pode ser interrompido com tratamento adequado. Os principais fatores de risco incluem: uso excessivo de analgésicos (mais de 10 a 15 dias por mês, incluindo triptanos e opioides, condição chamada "cefaleia por uso excessivo de medicação" ou MOH), estresse crônico, distúrbios do sono, ansiedade e depressão não tratadas, obesidade (IMC acima de 30 triplica o risco), ronco e apneia do sono, e ausência de tratamento preventivo adequado. O mecanismo por trás da cronificação envolve sensibilização central: o cérebro de quem tem enxaqueca crônica fica progressivamente mais sensível a estímulos, baixando o limiar para novas crises.
Revolução terapêutica: anticorpos monoclonais anti-CGRP
A maior revolução no tratamento da enxaqueca nas últimas décadas foi o desenvolvimento dos anticorpos monoclonais anti-CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina). O CGRP é um neuropeptídeo central na fisiopatologia da enxaqueca, liberado em grande quantidade durante as crises. Medicamentos como erenumabe (Aimovig), fremanezumabe (Ajovy) e galcanezumabe (Emgality) bloqueiam o CGRP ou seu receptor e são administrados por injeção subcutânea mensal ou trimestral. Em estudos clínicos fase 3, esses medicamentos reduziram em 50% ou mais o número de dias de enxaqueca em cerca de 50% dos pacientes, mesmo naqueles que não responderam a múltiplos preventivos anteriores. São especialmente valiosos na enxaqueca crônica refratária, com perfil de segurança excelente e poucos efeitos colaterais.

Novas terapias oferecem esperança real para quem convive com enxaqueca crônica
"A enxaqueca crônica não é uma sentença. Com o arsenal terapêutico disponível hoje, incluindo anticorpos monoclonais, toxina botulínica e gepantes, é possível reduzir drasticamente a frequência e a intensidade das crises e devolver qualidade de vida ao paciente. O essencial é não desistir até encontrar o tratamento certo para cada pessoa."
Toxina botulínica (Botox) e outras opções preventivas
A toxina botulínica tipo A (onabotulinumtoxinA, protocolo PREEMPT) é aprovada pela ANVISA para tratamento preventivo da enxaqueca crônica. O procedimento consiste em 31 a 39 aplicações em pontos específicos da cabeça, pescoço e ombros, repetidas a cada 12 semanas. Em estudos, reduziu a frequência de dias de cefaleia em 8 a 9 dias por mês em média. O efeito máximo ocorre após a segunda ou terceira sessão e é cumulativo. Os gepantes (ubrogepant, rimegepant) são moléculas pequenas que bloqueiam o receptor CGRP, usados tanto no tratamento agudo quanto na prevenção, e representam uma alternativa oral relevante. Preventivos orais tradicionais (topiramato, propranolol, amitriptilina, valproato) seguem com indicação em casos menos refratários.
Procure avaliação especializada se você tem dor de cabeça mais de 4 dias por mês, se a dor interfere no trabalho ou nas atividades diárias, se usa analgésicos com frequência crescente, se a dor mudou de padrão recentemente, ou se é acompanhada de sintomas neurológicos como alterações visuais, fraqueza ou dificuldade para falar. O diagnóstico correto e o tratamento individualizado, considerando comorbidades, estilo de vida e resposta prévia, fazem toda a diferença.
Leia também no blog:
- Cefaleia Tensional: Como Diferenciar da Enxaqueca — Dor
- Enxaqueca: O Que É, Causas, Sintomas e Como Tratar — Neurologia
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Fontes e Referências
1. Dodick DW, Turkel CC, DeGryse RE, et al. OnabotulinumtoxinA for treatment of chronic migraine: pooled results from the double-blind, randomized, placebo-controlled phases of the PREEMPT clinical program. Headache. 2010;50(6):921-936. doi:10.1111/j.1526-4610.2010.01678.x
2. Tepper SJ. History and Review of Anti-Calcitonin Gene-Related Peptide (CGRP) Therapies. Headache. 2018;58(Suppl 3):218-225. doi:10.1111/head.13379
3. Silberstein SD, Holland S, Freitag F, et al. Evidence-based guideline update: Pharmacologic treatment for episodic migraine prevention in adults. Neurology. 2012;78(17):1337-1345. doi:10.1212/WNL.0b013e3182535d20
Atendimento em Itumbiara/GO
Dr. Marcelo Lamberti — Neurocirurgião. Rua João Manoel de Souza, 881, Itumbiara/GO. Tel: (64) 99297-1512.