Epilepsia Tem Cura? Causas, Tipos e Tratamentos Disponíveis

Por Dr. Marcelo Oliveira Lamberti · CRM/GO 28.236 | RQE 15.222 ·

A epilepsia afeta 3 milhões de brasileiros, mas 70% dos casos têm controle completo com medicação. Entenda quando a cirurgia pode ser curativa. Agende com o Dr. Marcelo Lamberti, neurocirurgião com atuação em dor em Itumbiara/GO.

Epilepsia Tem Cura? Causas, Tipos e Tratamentos Disponíveis

Aviso: Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Não substitui a consulta médica individualizada.

A epilepsia é a doença neurológica grave mais comum no mundo, afetando cerca de 65 milhões de pessoas globalmente e mais de 3 milhões de brasileiros. É definida pela Liga Internacional Contra a Epilepsia (ILAE) como a ocorrência de pelo menos duas crises epilépticas não provocadas com intervalo superior a 24 horas, ou de uma única crise com risco elevado de recorrência. Uma crise epiléptica é causada por uma descarga elétrica anormal, excessiva e sincronizada de neurônios cerebrais. Apesar de sua prevalência, a epilepsia ainda carrega estigma social intenso, e muitos pacientes retardam a busca por tratamento por vergonha ou medo do diagnóstico.

"Epilepsia não define quem você é. Com o tratamento certo, a grande maioria dos pacientes vive de forma plena e sem crises."

Dr. Marcelo Lamberti

As crises epilépticas são extremamente variadas. Não se limitam às convulsões generalizadas tônico-clônicas (o chamado "mal caduco"). Podem se manifestar como: breves episódios de olhar fixo e ausência (crises de ausência, típicas da infância), automatismos oroalimentares (mastigação, deglutição), sensações estranhas no estômago, medo ou déjà vu (crises focais do lobo temporal), movimentos involuntários de um membro (crises motoras focais), ou episódios de quedas súbitas sem perda de consciência (crises atônicas). O reconhecimento da semiologia da crise é fundamental para a classificação e para o diagnóstico etiológico.

Causas da Epilepsia Por Faixa Etária

A causa da epilepsia varia significativamente com a idade. Em recém-nascidos e lactentes, destacam-se encefalopatias hipóxico-isquêmicas, distúrbios metabólicos e malformações corticais. Em crianças e adolescentes, síndromes epilépticas genéticas (como a Síndrome de Dravet e a epilepsia rolândica benigna) são comuns. Em adultos jovens, traumatismos craniencefálicos, tumores cerebrais e malformações vasculares são causas frequentes. Em adultos de meia-idade, a neurocisticercose, infestação por larvas do Taenia solium, é causa importante no Brasil e em países em desenvolvimento, respondendo por até 30% dos casos em algumas regiões. Em idosos, AVC, doença de Alzheimer e outras demências são os principais fatores. Em 30 a 40% dos casos, nenhuma causa identificável é encontrada mesmo com investigação completa, chamada de epilepsia de causa desconhecida.

Diagnóstico e Investigação

O diagnóstico é clínico, baseado na descrição detalhada das crises pelo paciente e testemunhas. O eletroencefalograma (EEG) é o exame complementar mais importante: detecta padrões de descarga epileptiforme e pode auxiliar na classificação da síndrome epiléptica. A ressonância magnética de crânio com protocolo específico para epilepsia busca lesões estruturais como esclerose hipocampal, displasias corticais e tumores. Exames genéticos são indicados em síndromes de início na infância ou quando há suspeita de etiologia genética. O vídeo-EEG prolongado, que permite monitoração simultânea da atividade elétrica cerebral e do comportamento durante crises espontâneas, é o padrão-ouro para classificação das crises e localização do foco, especialmente na avaliação pré-cirúrgica.

"Com o tratamento adequado, cerca de 70% das pessoas com epilepsia conseguem controle completo das crises e levam vida completamente normal. Para os 30% com epilepsia refratária, a avaliação cirúrgica pode ser transformadora: a ressecção do foco epiléptico é curativa em até 80% dos pacientes bem selecionados. O estigma em torno da epilepsia precisa ser combatido com informação, não com silêncio." - Dr. Marcelo Lamberti
Cuidado médico e acompanhamento do paciente com epilepsia

Com acompanhamento adequado, a maioria dos pacientes com epilepsia conquista o controle completo das crises

Tratamento: Medicamentos, Cirurgia e Novas Terapias

Drogas antiepilépticas (DAE) são o pilar do tratamento: carbamazepina, valproato, lamotrigina, levetiracetam, lacosamida e brivaracetam, entre outros, são escolhidos conforme o tipo de crise, síndrome epiléptica, idade e perfil de efeitos adversos. Quando dois ou mais medicamentos em doses adequadas não controlam as crises (chamada epilepsia refratária, definição da ILAE), a avaliação cirúrgica deve ser considerada. As técnicas cirúrgicas incluem: ressecção do foco epiléptico (lobectomia temporal, lesionectomia), callosotomia para crises de queda e estimulação do nervo vago. A estimulação cerebral profunda (DBS) do núcleo anterior do tálamo é aprovada para epilepsia refratária focal. A dieta cetogênica, rica em gorduras e pobre em carboidratos, é eficaz especialmente em crianças com síndromes epilépticas refratárias como Dravet e Lennox-Gastaut.

Fontes e Referências

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