NAD+ e Envelhecimento Cerebral: A Molécula que Pode Reverter o Declínio Cognitivo

Por Dr. Marcelo Oliveira Lamberti · CRM/GO 28.236 | RQE 15.222 ·

NAD+ corrigiu defeitos neurológicos do Alzheimer em estudo da Science Advances 2025. O ensaio NOPARK (fase 3) avalia NR no Parkinson. Entenda sirtuínas, mitocôndria e os suplementos NR vs NMN. Dr. Marcelo Lamberti, neurocirurgião em Itumbiara/GO.

NAD+ e Envelhecimento Cerebral: A Molécula que Pode Reverter o Declínio Cognitivo

Aviso: Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Não substitui a consulta médica individualizada.

Se existe uma molécula que pode ser chamada de "molécula da juventude celular", essa molécula é o NAD+ (nicotinamida adenina dinucleotídeo). Presente em todas as células vivas, o NAD+ é essencial para a produção de energia, o reparo do DNA, a regulação dos ritmos circadianos e a ativação das sirtuínas — enzimas que controlam o envelhecimento celular. O problema é que os níveis de NAD+ caem dramaticamente com a idade: aos 50 anos, temos aproximadamente metade do NAD+ que tínhamos aos 20. E o cérebro, que consome 20% de toda a energia do corpo, é um dos órgãos mais vulneráveis a essa queda. Estudos recentes publicados na Science Advances (2025) e revisões na Trends in Endocrinology & Metabolism (2025) demonstram que restaurar os níveis de NAD+ pode reverter déficits neurológicos associados ao Alzheimer e retardar a progressão do Parkinson. Na prática clínica do Dr. Marcelo Lamberti, neurocirurgião em Itumbiara, a avaliação do metabolismo energético cerebral é cada vez mais relevante para pacientes com queixas cognitivas e doenças neurodegenerativas.

"O NAD+ é o elo entre envelhecimento, metabolismo energético e neurodegeneração. Restaurar seus níveis é uma das estratégias mais promissoras que a ciência está investigando para proteger o cérebro."

Dr. Marcelo Lamberti — Neurocirurgião, CRM/GO 28.236

Pontos-chave deste artigo:

  • 1. Os níveis de NAD+ caem ~50% entre os 20 e 50 anos, e o cérebro é um dos órgãos mais afetados
  • 2. NAD+ reverteu déficits neurológicos em modelos de Alzheimer via regulação do splicing de RNA do gene EVA1C (Science Advances 2025)
  • 3. O ensaio NOPARK (Fase 3, 400 participantes) está avaliando nicotinamida ribosídeo (NR) para desacelerar a progressão do Parkinson
  • 4. Precursores como NR e NMN estão disponíveis como suplementos, mas dosagem e qualidade variam significativamente
  • 5. Expectativas realistas: evidências pré-clínicas são robustas, ensaios clínicos em humanos estão em andamento, mas resultados definitivos ainda são aguardados

O que é o NAD+ e por que ele declina com a idade?

O NAD+ é uma coenzima presente em todas as células vivas que participa de mais de 500 reações enzimáticas. Suas funções principais incluem: transferência de elétrons na cadeia respiratória mitocondrial (produção de ATP), ativação das sirtuínas (SIRT1 a SIRT7, enzimas que regulam longevidade, reparo de DNA e metabolismo), funcionamento das PARPs (enzimas de reparo do DNA) e regulação dos ritmos circadianos via CLOCK/BMAL1. Com o envelhecimento, o NAD+ declina por três razões principais: aumento da atividade de CD38 (uma enzima que degrada NAD+ e é ativada pela inflamação crônica), maior demanda pelas PARPs (pois o dano ao DNA se acumula com a idade) e redução da síntese de NAD+ a partir de precursores. O resultado é um déficit energético celular progressivo que compromete especialmente os neurônios, células com altíssima demanda metabólica e baixa capacidade regenerativa.

NAD+ e Alzheimer: a descoberta da Science Advances 2025

Um estudo publicado na Science Advances em 2025 trouxe resultados surpreendentes. Pesquisadores demonstraram que a suplementação com NAD+ reverteu déficits neurológicos em camundongos com mutação tau (um dos modelos mais relevantes de Alzheimer). O mecanismo identificado foi inédito: o NAD+ regulou o splicing alternativo de RNA do gene EVA1C, restaurando a função sináptica. O EVA1C codifica uma proteína envolvida na autofagia (limpeza celular) e na sobrevivência neuronal. Quando o NAD+ está baixo, o processamento incorreto do RNA do EVA1C compromete esses processos. Ao restaurar os níveis de NAD+, o splicing correto foi restabelecido, as sinapses se recuperaram e os déficits comportamentais foram revertidos. Esse achado é particularmente relevante porque demonstra que o NAD+ não atua apenas melhorando a "energia" do neurônio, mas tem efeitos regulatórios profundos sobre a expressão gênica — o que amplia enormemente seu potencial terapêutico.

Ensaios clínicos em Parkinson: NOPARK e NADAPT

O NOPARK é o maior ensaio clínico de Fase 3 já realizado com nicotinamida ribosídeo (NR) em doenças neurodegenerativas. Com 400 participantes com doença de Parkinson em estágio inicial, o estudo avalia se a suplementação diária com NR pode desacelerar a progressão da doença ao longo de 12 meses. Os resultados preliminares de Fase 1 já demonstraram que o NR elevou significativamente os níveis de NAD+ no sangue e no líquor cefalorraquidiano dos participantes, confirmando que o suplemento cruza a barreira hematoencefálica. Em paralelo, o ensaio NADAPT (Fase 2) está testando NR em altas doses (3.000 mg/dia) em pacientes com parkinsonismo atípico — formas mais agressivas da doença para as quais não existem tratamentos eficazes. Esses estudos representam um marco porque são os primeiros a testar rigorosamente se a restauração do NAD+ pode ser uma estratégia modificadora de doença na neurodegeneração, e não apenas um tratamento sintomático.

Sirtuínas, mitocôndrias e reparo do DNA: os mecanismos neuroprotetores

O NAD+ exerce neuroproteção por múltiplas vias simultâneas. A ativação das sirtuínas (especialmente SIRT1 e SIRT3) promove a biogênese mitocondrial, melhora a eficiência da fosforilação oxidativa e reduz o estresse oxidativo. A SIRT1 também desacetila a proteína tau, reduzindo sua agregação patológica — um dos mecanismos centrais do Alzheimer. A SIRT3, localizada na mitocôndria, protege contra a disfunção mitocondrial que é característica tanto do Alzheimer quanto do Parkinson. Além disso, o NAD+ é substrato essencial para as PARPs, que reparam quebras no DNA. O acúmulo de dano ao DNA não reparado é um dos gatilhos para a morte neuronal programada. Por fim, o NAD+ modula a neuroinflamação através da regulação do inflamassoma NLRP3 e da polarização microglial — conectando diretamente com os avanços em reprogramação metabólica da micróglia. A revisão publicada na Trends in Endocrinology & Metabolism em 2025 classificou a suplementação de NAD+ como uma "estratégia modificadora de doença para neurodegeneração".

NR e NMN: o que são, como funcionam e o que considerar

Os dois principais precursores de NAD+ disponíveis como suplementos são o nicotinamida ribosídeo (NR) e o nicotinamida mononucleotídeo (NMN). O NR é convertido em NMN pela enzima NRK, e o NMN é então convertido em NAD+ pela enzima NMNAT. Ambos elevam os níveis de NAD+ de forma significativa em humanos. O NR tem mais dados de ensaios clínicos publicados, incluindo estudos de segurança de longo prazo mostrando boa tolerabilidade em doses de 1.000 a 2.000 mg/dia. O NMN tem dados clínicos crescentes, com estudos mostrando melhora na sensibilidade à insulina muscular e na capacidade aeróbica. A dose utilizada em pesquisa varia de 250 mg a 3.000 mg/dia, dependendo da indicação. O que observar ao escolher um suplemento: certificação de pureza por terceiros (como NSF ou USP), armazenamento adequado (especialmente NMN, que pode ser mais sensível ao calor) e procedência confiável. Atenção: suplementos não substituem tratamento médico. Não interrompa medicações prescritas e converse sempre com seu médico antes de iniciar qualquer suplementação.

Expectativas realistas: o que a ciência já comprovou e o que ainda falta

É importante separar o que é evidência sólida do que é expectativa. O que já está comprovado: os níveis de NAD+ declinam com a idade; precursores como NR e NMN elevam os níveis de NAD+ em humanos; em modelos animais, a restauração do NAD+ melhora função mitocondrial, reparo de DNA e função cognitiva; NR e NMN são seguros e bem tolerados em estudos clínicos de até 2 anos. O que está em investigação: se a elevação do NAD+ se traduz em benefícios clínicos mensuráveis em humanos com doenças neurodegenerativas (NOPARK, NADAPT e outros ensaios em andamento); a dose ideal para neuroproteção; o impacto a longo prazo em desfechos como progressão de demência e mortalidade. O que não se deve esperar: NAD+ não é uma "pílula da juventude" — o envelhecimento é multifatorial e nenhuma intervenção isolada o reverterá. Porém, se os ensaios clínicos em andamento confirmarem os resultados pré-clínicos, a suplementação de NAD+ pode se tornar uma das ferramentas mais importantes da medicina preventiva cerebral.

"NAD+ não é moda de biohacking. É ciência séria, com ensaios clínicos de Fase 3 em andamento. Mas é preciso cautela: os resultados em humanos ainda estão sendo avaliados. Oriento meus pacientes a focarem primeiro no sono, exercício e alimentação — e considerar suplementação com acompanhamento médico."
Dr. Marcelo Lamberti — Neurocirurgião em Itumbiara/GO

Perguntas frequentes (FAQ)

O que é NAD+ e por que ele é importante para o cérebro?

NAD+ (nicotinamida adenina dinucleotídeo) é uma coenzima essencial para a produção de energia celular, reparo do DNA e ativação das sirtuínas. O cérebro consome 20% da energia do corpo, tornando-o extremamente dependente de NAD+ para funcionar corretamente. Seus níveis caem com a idade, contribuindo para o declínio cognitivo.

NR e NMN: qual a diferença?

Ambos são precursores de NAD+. O NR (nicotinamida ribosídeo) é convertido em NMN, que por sua vez é convertido em NAD+. O NR tem mais dados clínicos publicados e é usado nos maiores ensaios clínicos (NOPARK, NADAPT). O NMN tem dados crescentes. Na prática, ambos elevam NAD+ de forma eficaz.

Qual a dose recomendada de NR ou NMN?

Não existe consenso definitivo. Em estudos clínicos, as doses variam de 250 mg a 3.000 mg/dia. Para uso geral, doses de 300 a 1.000 mg/dia são as mais comuns em pesquisa. Converse com seu médico antes de iniciar, especialmente se usar medicações ou tiver condições crônicas. O Dr. Marcelo Lamberti avalia individualmente cada paciente.

NAD+ pode curar Alzheimer ou Parkinson?

Não existem evidências de cura. O que os estudos mostram é que restaurar os níveis de NAD+ pode desacelerar a progressão e melhorar a função neuronal em modelos experimentais. Ensaios clínicos como o NOPARK estão testando se isso se traduz em benefícios reais para pacientes. Resultados definitivos são esperados nos próximos 2-3 anos.

Tomar NAD+ intravenoso é melhor que suplementos orais?

A administração intravenosa de NAD+ é oferecida em clínicas de "longevidade", mas não há evidência de superioridade sobre precursores orais (NR/NMN). O NAD+ intravenoso pode causar efeitos colaterais como náusea e cãibras. Os ensaios clínicos de alta qualidade usam NR oral, que tem dados robustos de biodisponibilidade e segurança.

Além de suplementos, como posso aumentar meu NAD+ naturalmente?

Exercício físico regular é a intervenção mais eficaz para elevar NAD+ naturalmente, pois ativa a enzima NAMPT. Jejum intermitente e restrição calórica também elevam NAD+ via ativação de AMPK. Sono de qualidade é essencial, pois a privação de sono reduz NAD+. Alimentos ricos em niacina (vitamina B3) como atum, frango e cogumelos contribuem para a síntese de NAD+.

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Fontes e Referências

1. Verdin E. NAD+ in aging, metabolism, and neurodegeneration. Science. 2015.
2. Yoshino J, Baur JA, Imai SI. NAD+ Intermediates: The Biology and Therapeutic Potential of NMN and NR. Cell Metabolism. 2018.
3. Brakedal B, Dolle C, Riemer F, Ma Y, Nido GS, Skeie GO, et al. The NADPARK study: A randomized phase I trial of nicotinamide riboside supplementation in Parkinson's disease. Cell Metabolism. 2022.
4. Hou Y, Lautrup S, Cordonnier S, Wang Y, Croteau DL, Zavala E, et al. NAD+ supplementation normalizes key Alzheimer's features and DNA damage responses in a new AD mouse model with introduced DNA repair deficiency. Proceedings of the National Academy of Sciences. 2018.
5. Covarrubias AJ, Perrone R, Grozio A, Verdin E. NAD+ metabolism and its roles in cellular processes during ageing. Nature Reviews Molecular Cell Biology. 2021.
6. Imai S, Guarente L. NAD+ and sirtuins in aging and disease. Trends in Cell Biology. 2014.
7. Mills KF, Yoshida S, Stein LR, Grozio A, Kubota S, Sasaki Y, et al. Long-Term Administration of Nicotinamide Mononucleotide Mitigates Age-Associated Physiological Decline in Mice. Cell Metabolism. 2016.

Atendimento em Itumbiara/GO

Dr. Marcelo Lamberti — Neurocirurgião. Rua João Manoel de Souza, 881, Itumbiara/GO. Tel: (64) 99297-1512.