Tontura e Vertigem Constante: Causas Neurológicas e Quando Se Preocupar

Por Dr. Marcelo Oliveira Lamberti · CRM/GO 28.236 | RQE 15.222 ·

Nem toda tontura é "labirintite". Vertigem persistente pode indicar problemas no cerebelo ou tronco cerebral. Saiba quando a investigação neurológica é urgente. Agende com o Dr. Marcelo Lamberti, neurocirurgião com atuação em dor em Itumbiara/GO.

Tontura e Vertigem Constante: Causas Neurológicas e Quando Se Preocupar

Aviso: Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Não substitui a consulta médica individualizada.

Tontura e vertigem estão entre as queixas mais comuns em consultórios médicos e emergências, responsáveis por cerca de 5 a 6% de todas as consultas médicas no mundo. Estima-se que 20 a 30% da população adulta experimenta algum episódio de tontura significativa ao longo da vida, com prevalência crescente após os 60 anos. O impacto funcional é grande: tontura crônica aumenta o risco de quedas (principal causa de fraturas em idosos), limita atividades diárias, causa ansiedade e reduz significativamente a qualidade de vida. Apesar da alta prevalência, o diagnóstico etiológico da tontura é frequentemente mal feito. A causa mais comum ("labirintite") é na verdade um diagnóstico impreciso e frequentemente incorreto.

"Nem toda tontura é 'labirintite'. Um diagnóstico correto é fundamental, porque algumas causas exigem tratamento urgente."

Dr. Marcelo Lamberti

É fundamental distinguir dois termos frequentemente confundidos. Tontura é uma sensação inespecífica de desequilíbrio, leveza na cabeça, instabilidade ou mal-estar, sem sensação de movimento. Pode ter causas cardiovasculares (hipotensão ortostática, arritmias), metabólicas (hipoglicemia, anemia), psiquiátricas (ansiedade, síndrome do pânico) ou neurológicas. Vertigem é especificamente a ilusão de movimento do ambiente ou do próprio corpo, geralmente descrita como "sensação de que tudo gira", e indica sempre disfunção do sistema vestibular, seja periférico (labirinto/nervo vestibular) ou central (cerebelo, tronco cerebral, vias vestibulares centrais). Identificar corretamente o tipo de sintoma é o primeiro passo para o diagnóstico etiológico.

Causas Periféricas: VPPB, Neurite e Doença de Ménière

As causas periféricas representam 70 a 80% dos casos de vertigem e têm, em geral, melhor prognóstico. A Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB) é a causa mais comum de vertigem: episódios intensos, de curta duração (segundos a um minuto), desencadeados por mudanças de posição da cabeça (deitar, virar, levantar). É causada pelo deslocamento de otólitos (cristais de carbonato de cálcio) do utrículo para os canais semicirculares. O diagnóstico é confirmado pela manobra de Dix-Hallpike, e o tratamento com manobra de reposicionamento (manobra de Epley) é eficaz em mais de 90% dos casos em uma única sessão. A neurite vestibular (inflamação viral do nervo vestibular) causa vertigem contínua intensa por dias, com náuseas e instabilidade, sem perda auditiva. Trata-se com corticosteroides e reabilitação vestibular. A doença de Ménière é uma endolinfatia do labirinto, com crises episódicas de vertigem (20 minutos a horas), zumbido, sensação de plenitude auricular e perda auditiva flutuante.

"Tontura persistente associada a dificuldade para andar, visão dupla, fala arrastada ou fraqueza em um lado do corpo são sinais de alerta neurológico que exigem avaliação urgente. Nunca atribua esses sintomas apenas a 'labirintite' sem investigação adequada. Podem indicar AVC cerebelar ou outra lesão central que precisa de tratamento imediato." - Dr. Marcelo Lamberti
Avaliação médica de tontura e vertigem

O diagnóstico correto da tontura exige avaliação neurológica detalhada para diferenciar causas periféricas de centrais

Causas Centrais: Quando a Vertigem É Sinal de Perigo

As causas centrais representam 20 a 30% dos casos, mas são as mais graves. O AVC do cerebelo ou do tronco cerebral pode se manifestar como vertigem aguda intensa, indistinguível clinicamente de uma neurite vestibular, mas com sinais neurológicos associados: diplopia, disfagia, disfonia, ataxia da marcha, síndrome de Horner, dismetria. A HINTS (Head Impulse, Nystagmus, Test of Skew) é uma bateria de três testes de beira de leito que, nas mãos de um examinador experiente, tem sensibilidade superior à ressonância magnética precoce para distinguir AVC de causa periférica. Tumores do ângulo ponto-cerebelar (schwannoma, meningioma) causam vertigem crônica progressiva com zumbido unilateral e perda auditiva. A enxaqueca vestibular é a segunda causa mais comum de vertigem episódica em adultos, com episódios de vertigem de minutos a horas em pacientes com história de enxaqueca, frequentemente sem cefaleia durante o episódio vestibular. A esclerose múltipla pode causar surtos agudos de vertigem por placas desmielinizantes no tronco cerebral.

Investigação e Tratamento

A avaliação de tontura e vertigem inclui anamnese detalhada (caracterizar o tipo, duração, fatores desencadeantes e sintomas associados), exame neurológico completo e exame otológico. A videonistagmografia (VNG) e a posturografia computadorizada avaliam objetivamente a função do sistema vestibular periférico e central. A audiometria e BERA (potencial evocado auditivo de tronco cerebral) são indicados quando há sintomas auditivos associados. A ressonância magnética de fossa posterior com difusão é o exame de escolha para excluir AVC e tumores. O tratamento varia conforme a etiologia: manobras de reposicionamento para VPPB; corticosteroides para neurite vestibular; dieta hipossódica, diuréticos e, em casos selecionados, cirurgia para Ménière; reabilitação vestibular para tontura crônica de diversas etiologias; e tratamento específico para causas centrais.

Fontes e Referências

Leia também no blog:

Atendimento em Itumbiara/GO

Dr. Marcelo Lamberti — Neurocirurgião. Rua João Manoel de Souza, 881, Itumbiara/GO. Tel: (64) 99297-1512.